Vinho bom é vinho E.P.I.C.
Estava sumido do blog mas, em plena enoatividade, volto com um tema recorrente que interessa aos iniciados, iniciantes e curiosos em geral! Qualidade no vinho!
Pergunta frequente que recebo de amigos, alunos e seguidores: “Pode me indicar um vinho bom?” ou “Qual o vinho português/brasileiro/italiano/espanhol/francês/argentino/uruguaio/chileno/EUA… que é bom?”
Muita gente diz: “Vinho bom é o vinho que eu gosto!”
E tudo bem, todos devem beber o que gostam, embora não necessariamente o vinho que você gosta pode ser considerado bom.
Vinho é igual a filme ou livro, você pode amar certo filme, mas o fato de ser o seu preferido não faz dele ser tecnicamente um filme bom.
E o que seria tecnicamente um vinho bom?
Vinho de qualidade precisa ser E.P.I.C. Ou seja, ele deve ser Equilibrado, Persistente, Intenso e Complexo. Se o vinho tiver 3 destas características é um vinho bom, 4 é muito bom e o vinho excelente possui as 5:
- Equilíbrio: os principais elementos estão em harmonia, sem que um se sobreponha aos demais. Em outras palavras, nenhum aspecto “grita” mais alto que os outros. Devem estar em equilíbrio: acidez, taninos, álcool, fruta e doçura. O equilíbrio resulta em um vinho agradável e bem estruturado.
- Acidez: dá frescor e vivacidade ao vinho;
- Taninos: presentes principalmente nos tintos, trazem estrutura e sensação de adstringência;
- Álcool: contribui para o corpo do vinho e dá sensação de calor;
- Fruta: os aromas e sabores frutados que dão identidade ao vinho;
- Doçura (quando presente): deve estar em equilíbrio com a acidez.
- Persistência de um vinho é o tempo que seus aromas e sabores agradáveis permanecem depois que você o cheira e o engole (ou cospe no caso de degustação técnica):
- Baixa persistência: os sabores desaparecem quase imediatamente;
- Média persistência: os sabores permanecem por alguns segundos;
- Alta persistência: os sabores continuam por bastante tempo, deixando uma impressão marcante e agradável.
- Intensidade é o quão fortes são os aromas e sabores enquanto o vinho está na boca e no nosso nariz. No vinho que possui boa intensidade aromática, os agradáveis aromas se desprendem, sem que seja necessário afundar seu narigão na taça para buscá-los; e na boca sentimos logo seu sabor devido à intensidade. Vinho que tem sabor fraco e diluído, raramente é um bom vinho.
- Complexidade. Um vinho complexo é aquele que apresenta muitas camadas de aromas, sabores e sensações, que vão se revelando ao longo da degustação. Em vez de mostrar apenas uma característica, ele oferece diferentes nuances, descritivos aromáticos de diversos grupos (notas de frutas maduras, frutas secas, flores, especiarias, vegetais, minerais, couro, caramelo, torrefação, café, tabaco, chocolate, mel, madeira…). Já no vinho simples, sentimos praticamente o mesmo aroma do início ao fim, sendo facilmente detectável. A complexidade também se manifesta na evolução do vinho, conforme ele fica na taça, novos aromas aparecem. Na boca, os sabores podem evoluir e a cada gole podem revelar um detalhe diferente.
Lembrando sempre que um vinho pode ser simples, mas muito bem feito, equilibrado e extremamente prazeroso! Simplicidade no vinho não é algo negativo. Vinho depende do momento, do lugar e da companhia. Prego que todos bebam os vinhos que gostem, mas proponho sair um pouco da zona de conforto, ousar e buscar vinhos E.P.I.C!
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